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O fim do sonho

 

09h16 CET

21/03/2025

Duas das quatro equipas portuguesas que ainda estavam nas competições da UEFA caíram antes dos oitavos-de-final, nos playoff de Fevereiro, deixando a representação nacional só a cargo de Benfica e Vitória SC e tornando objetivamente impossível a aproximação aos Países Baixos na sexta posição do ranking da UEFA a cinco anos ou a classificação num dos primeiros dois lugares do ranking exclusivo desta temporada. Ainda não vai ser na próxima Liga que os dois primeiros terão a garantia de aceder diretamente à Champions.
O Benfica ainda arrancou um 3-3 na Luz ao AS Mónaco, apurando-se em função da vitória na primeira mão, mas as contas começaram logo aí a sorrir aos neerlandeses, que mantiveram a vantagem com o apuramento do Feyenoord, obtido graças a um empate a uma bola em San Siro, frente ao Milan. E o pior é que o Benfica foi mesmo a única equipa portuguesa a avançar na semana passada – o Vitória SC já estava diretamente apurado para os oitavos-de-final da Liga Conferência sem ter de passar pelo playoff. Já privado de sete jogadores por lesão, Rui Borges optou por deixar Trincão e Gyökeres em Lisboa, em gestão para o jogo de campeonato, nas Aves, o que deixava perceber que o Sporting não viajava para Dortmund com esperanças de inverter o 0-3 que encaixara na primeira mão em Alvalade. No fim, a equipa leonina salvou-se da derrota graças a um penalti defendido por Rui Silva, fez um ponto, mas confirmou o afastamento da prova. O afastamento leonino privou Portugal de mais uma equipa a pontuar daqui para a frente, com outra agravante: é que no mesmo dia o PSV Eindhoven ganhou em casa à Juventus, por 3-1, apurando-se para a ronda seguinte e melhorando as contas aos neerlandeses.
Na Liga Europa caiu a única equipa portuguesa que ainda lá estava, o FC Porto. Os dragões ainda estiveram em vantagem na visita à AS Roma, mas o 3-2 final, somado ao empate a uma bola da primeira mão, implicou o afastamento da equipa portista. E, além da eliminação dos azuis e brancos – o SC Braga já tinha ficado fora – o dia correu mal a Portugal também na medida em que correu bem aos Países Baixos, com o esperado apuramento do AZ Alkmaar e do Ajax. E podia ter sido pior ainda, pois o Twente, que trazia um golo de avanço da primeira mão, esteve a ganhar em Bodø, forçou o prolongamento com um golo aos 90+6’ e só nessa meia-hora é que cedeu, por 5-2. Proeza foi o que conseguiu o Ajax, que tinha ganho por 2-0 à Union Saint Gilloise em Bruxelas, mas viu-se a perder por 2-0 e com um homem a menos à meia-hora da segunda mão, e ainda foi buscar a qualificação no prolongamento.
Tudo somado, quando a semana que vem nos trará os oitavos-de-final das três competições, os Países Baixos têm agora 4.584 pontos a mais que Portugal no ranking a cinco anos, que é o que definirá as vagas para as provas europeias de 2026/27, mas quatro equipas ainda em condições de pontuar – quando nós já só temos duas, o Benfica e o Vitória SC. Os 4.584 pontos de diferença do dia de hoje divergem pouco dos 4.984 do início da época – e deixar-nos-ão à mesmíssima distância, porque no final da temporada as duas nações vão ter de abdicar dos pontos de 2020/21, em que Portugal somou mais 0.400 pontos do que os Países Baixos. E provavelmente, por terem mais gente a pontuar, ainda que nenhuma das nossas equipas ou das deles seja agora favorita para o apuramento, os neerlandeses poderão ainda aumentar esta diferença até ao final da época. A este ritmo, a recuperação da segunda vaga direta na Liga dos Campeões vai demorar bastante.
Ora o que também não vai acontecer é Portugal ficar numa das duas primeiras posições no ranking só de 2024/25, o que até daria uma vaga-extra na Champions de 2025/26. Somos agora quartos classificados, com 16.050 pontos, mas apenas quatro milésimas à frente da Alemanha (que tem 16.046) e já a 1.137 da Itália, que é terceira – e mesmo assim ainda tem quatro equipas em prova. A única possibilidade de Portugal vir a ter duas equipas diretamente apuradas para a próxima Champions – sem passar pelas pré-eliminatórias, portanto – é mesmo que a Liga Europa sorria a um clube já diretamente apurado no seu país. Como o vencedor da Liga Europa entra direto, se esse clube já tiver a vaga garantida, essa vaga transita para a equipa presente nas rondas preliminares com melhor ranking. Ora, aqui ainda é cedo para se fazerem contas, mas o 15º lugar do Benfica e o 18º do FC Porto no ranking de clubes a cinco anos deixa-os em excelente posição. Desde que acabem a Liga em segundo lugar – em primeiro apurar-se-iam sempre de forma direta – tanto um como o outro só seriam forçados às preliminares se o Paris Saint Germain acabasse a Liga francesa em quarto lugar. Improvável, portanto. Já o Sporting, 33º neste mesmo ranking, caso acabe a Liga em segundo terá de esperar por mais algumas coincidências: que o FC Bruges não seja segundo na Liga belga, que o Feyenoord, o PSV e o Ajax não sejam terceiros na Liga neerlandesa (mais difícil) e que o Lille OSC não seja quarto na Liga francesa. O mesmo é válido para o SC Braga, que é 44º.
Quando, em 2023, Portugal perdeu o sexto lugar do ranking para os neerlandeses, a Eredivisie fez um vídeo a celebrar, com Khalid Boularhouz a incorporar a personagem do “Canibal”, que teria vindo a Portugal receber a vaga extra. Na altura, a Liga Portugal respondeu com um tweet: “Aproveitem enquanto dura”. Estas coisas são geralmente cíclicas, que o sexto lugar não é fácil de manter: há mais uma equipa a pontuar, mas também mais uma a dividir o total de pontos. O problema é que nem mesmo num ano em que o Vitória SC contribuiu à grande, com uma excelente campanha na Liga Conferência, não se veem jeitos de podermos voltar a superar os rivais mais próximos. Está a durar muito...

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