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Os sub17 ganham o futuro

 

14h33 CET

30/11/2025

 

Lembro-me de ser adolescente e de vibrar intensamente com as conquistas da que acabámos todos por definir como a “Geração de Ouro”, o Europeu de sub16 e o Mundial de sub20 em 1989, bem como depois a final do Europeu de sub18 em 1990 e outro Mundial de sub20 em 1991. Guardo, até hoje, a cópia autografada, naqueles dossiers que se faziam nas reprografias das associações de estudantes, do documento seminal que deu origem a isto tudo, o projeto-Queiroz. Não é coisa pouca, são 150 páginas de planificação detalhada... A seleção nacional de sub17, que no Verão já tinha sido campeã da Europa, conquistou na quinta-feira o Mundial, batendo na final a Áustria, por 1-0, com um golo de Anísio Cabral, e ao troféu coletivo juntou ainda o de melhor jogador da prova, Mateus Mide, o de melhor guarda-redes, Romário Cunha, o de segundo melhor marcador, que foi Anísio, e o de terceiro melhor jogador, Mauro Furtado. À vitória teremos de juntar todos os outros jogadores e a equipa técnica, mas talvez seja a idade que me faz hoje olhar para isto sob uma perspetiva diferente da que tinha quando Bino Maçães, o atual selecionador, era jogador e integrava aquela primeira geração que desbravou caminho.

Hoje relativizo e olho para a frente com esperança de que esta geração de jogadores nascidos em 2008 venha a assegurar o futuro da seleção nacional sénior. É que apesar das muitas coisas que ainda vamos fazendo mal acima, da forma como dificultamos a afirmação de talento em nome do imediatismo ao modo como destruímos a popularidade do jogo com sacudidelas de responsabilidade para cima dos outros, foi isso que aconteceu com as outras. A geração de ouro original, a dos rapazes da minha idade ou pouco mais novos, como o Figo, o Rui Costa, o Vítor Baía, o Jorge Costa ou o Fernando Couto, foi responsável por tornar natural a presença de Portugal nas fases finais – e, ainda que já reforçada pela que se seguiu, a de Ricardo Carvalho, Deco, Maniche, Nuno Gomes, e por um Cristiano Ronaldo já à frente do seu tempo, jogou a final do Europeu de 2004. Da conquista do Europeu de sub17 em 2003 pouco restou além de João Moutinho, que com Ronaldo garantiu a transição para a nova geração de ouro, a que juntou os vice-campeões europeus de sub19 em 2014 e de sub21 em 2015 – e todos ganharam o Europeu de seleções principais em 2016. É a geração de João Cancelo, Raphael Guerreiro, João Palhinha, Bernardo Silva, João Mário ou William Carvalho.

Depois, a pandemia atrapalhou a afirmação nas seleções jovens dos que ganharam a UEFA Youth League pelo FC Porto em 2019 e pelo Benfica em 2022. Alguns estiveram na final do Europeu de sub19 em 2019, outros na final do Europeu de sub21 em 2021, mas nestes casos o sucesso está na produção contínua e sobretudo na capacidade de levar o talento até ao mais alto nível, juntando gente de anos consecutivos, sem interromper a cadeia de afirmação. Aí estão Pedro Gonçalves (de 1998), Rafael Leão, Diogo Costa, Diogo Dalot, João Félix ou Trincão (todos de 1999), Vitinha e Pedro Neto (de 2000), Gonçalo Ramos e Gonçalo Inácio (de 2001), Nuno Mendes e Francisco Conceição (de 2002). João Neves (de 2004) também já está aí, mas o que a vitória desta semana nos disse é que, somados aos de 2007 que perderam (mas chegaram lá) a final do Europeu de sub17 em 2024, alguns já a jogar com os crescidos, como Quenda, Mora, Simões ou Felicíssimo, há gente de 2008 pronta a manter a máquina a carburar.

Depois, as taças são só a consequência natural. Mas é preciso meter travão à euforia que quer já, a toda a força, acelerar ou abrir caminho de forma não natural ao crescimento dos miúdos. Os 21 jogadores que foram campeões mundiais de sub17 são hoje muito mais adultos e já preparados para as exigências do profissionalismo do que eram os integrantes da geração de 1989, por exemplo, a que viu o atual selecionador, Bino Maçães, ser terceiro no Mundial de sub16. Cinco destes jogadores já atuaram na II Liga: Daniel Banjaqui, Mauro Furtado, Miguel Figueiredo e Stevan Manuel no Benfica B e Bernardo Lima no FC Porto B. João Aragão também já anda nos B do SC Braga, na Liga 3, e até teve um minuto na equipa principal, na Liga Europa. E Santiago Verdi e Zeega já jogam na equipa B do Vitória SC no Campeonato de Portugal. Agora há ainda que trabalhá-los para a etapa seguinte, que é a da entrada nas equipas principais. E Bino sabe bem o que isso custa: dos 18 que estiveram no Mundial de 1989, só 13 jogaram na I Liga – e, desses, quatro fizeram-no apenas muito episodicamente. Sete chegaram lá antes dos 20 anos: Figo e Peixe no Sporting, Abel Xavier no Estrela da Amadora, o próprio Bino no FC Porto, Tulipa no FC Paços de Ferreira, Álvaro Gregório no Salgueiros e Geani no Vitória SC – este para o que viria a ser o seu único jogo no escalão principal. Seis dos 18 – um terço, nada mau... – ainda foram internacionais A. Mas só Figo, Abel Xavier e Peixe passaram as dez internacionalizações, que Tulipa e Bino ficaram pelas três e Paulo Santos só conseguiu obter uma. A maior tarefa que têm pela frente aqueles que os dirigirem os mais recentes campeões do Mundo é a de os convencer que as dificuldades, para eles, só começam agora.

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