09h54 CEST
11/06/2026
O relógio aponta para pouco depois das duas da tarde na Florida, mas na cozinha da casa portuguesa em West Palm Beach o fuso horário mede-se pelo cheiro a refogado. Há uma azáfama de quem prepara um banquete de domingo, embora o calendário teime em dizer que é uma banal quarta-feira de trabalho para o resto da América. Nas travessas, já se vão acumulando costeletas, bolinhos de bacalhau, rissóis, pataniscas e batatas fritas. Não chegará já?, pergunta-se. Que não, que não. A mesa quer-se farta, como manda a saudade. O pretexto para este ajuntamento é tão bom como qualquer outro, quando o que está em causa é a celebração das nossas raízes: ver o Portugal-Nigéria. A hora do apito inicial - pouco antes das quatro da tarde em Miami - não é carne nem peixe, não serve para almoçar nem para jantar, mas na diáspora não há desculpas. Sobretudo quando a idade já permite meter a reforma e o tempo perde a pressa de outros tempos. «Voltar definitivamente para Portugal era o meu sonho, mas não é possível. Sabe porquê? Porque tenho aqui os meus netos, tenho aqui as minhas filhas e tenho aqui a minha vida», conta Eduarda Vassal, uma senhora de óculos, língua solta e a dinâmica de uma jovem. «Mas, meu querido Portugal, no dia 29 deste mês, estarei no avião da TAP, às cinco e meia da manhã, para aterrar no lindo aeroporto que agora é Humberto Delgado, mas que para mim será sempre da Portela. Vou passar férias, até outubro, se Deus quiser.» Veio atrás de um rato.