19h04 CEST
31/07/2026
Franco Baresi jogou numa época especial para a minha geração: ali entre o fim da infância e o início da adolescência, quando as coisas valem pelo que são e pelo que a nossa imaginação acredita que elas devem ser. Ora neste barómetro infantojuvenil, na defesa Baresi foi o número um. Não era forte, não era alto e não era duro, mas tirando isso, era tudo. Era sobretudo rápido e muito, muito inteligente. A imagem que me vem à cabeça, aliás, é estar a ver um avançado a isolar-se, qualquer um, para de repente aparecer Baresi, vindo de fora do plano televisivo, e limpar a jogada. Baixinho, com o cabelo desgrenhado e a camisola sempre por fora dos calções, jogava como líbero, a posição mais italiana que existe. Ele era o último homem, o pensador solitário atrás da linha, o que vê o jogo inteiro como quem lê um mapa. Era uma espécie de Beckenbauer dez anos depois - que também sabia tratar bem a bola e sair a jogar - mas mais baixo e menos alemão. Havia, no entanto, algo surpreendente no seu jogo: não tinha pressa. Onde os outros desesperavam, ele antecipava. Por isso diziam que ele não corria atrás dos adversários: esperava por eles. Essa diferença - subtil, quase filosófica - resume vinte anos de futebol e uma carreira irrepetível: carregada de títulos e de amor. Um amor que já não existe. Mudou-se para Milão com o irmão, um tornou-se capitão do Milan e outro do Inter Era honesta. Um campeão do Mundo a jogar na segunda divisão